Cineclube Equipe investiga curtas-metragens contemporâneos

Kim tá convidando todo mundo para a última sessão do Cineclube Equipe do ano! Será no sábado, 29 de novembro de 2009. Nas palavras dele:

“Ajudem a divulgar e compareçam, pois a sessão, além de discutir o cenário contemporâneo do cinema realizado no Brasil buscará amarrar como um todo as discussões que tiveram lugar ao longo da programação de 2009.”

Essa sessão promete, aliás: entre os curtas que serão exibidos está Luz Industrial Mágica, do crítico e cineasta Kléber Mendonça Filho, cujo curta Recife Frio recentemente foi muito elogiado e premiado no 42º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. O debatedor desta vez será o gente fina Francis Vogner dos Reis, crítico de cinema das revistas virtuais Cinética, Contracampo e Paisá.

Se você não conhece o Cineclube Equipe, vale a pena ir numa sessão porque os debates são ótimos e os organizadores são pessoas muito legais. Ajude a divulgar! Mais informações abaixo:

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O Cineclube Equipe, projeto sem fins lucrativos do Instituto Equipe Cultura e Cidadania, realiza a última sessão do ciclo investigação sobre cinema no Brasil no sábado 29 de novembro de 2009 com o tema Cinema contemporâneo: curtas-metragens. A sessão contará com a exibição às 16h de uma seleção de curtas-metragens seguida de debate, às 18h, com o crítico de cinema da Revista Cinética Francis Vogner dos Reis. No hall de entrada serão disponibilizados livros para consulta e folhetos informativos sobre o tema. Serão vendidas apostilas com textos de apoio à programação anual e, ao final, haverá sorteio de livro. A sessão tem colaboração sugerida de R$4,00 e acontece no auditório do Colégio Equipe (R. Bento Frias, 223 – Pinheiros, São Paulo/ tel. 3579-9150).

Programação

Corpo presente: Beatriz, Paolo Gregori – SP, 2008, 20min
Luz industrial mágica, Kléber Mendonça Filho – PE, 2009, 8min
Tira os óculos e recolhe o homem, Andre Sampaio – RJ, 2008, 20min
Superbarroco, Renata Pinheiro – PE, 2008, 17min
Eva Nil, cem anos sem filmes, João Marcos de Almeida – SP, 2009, 13min
Muro, Tião – PE, 2008, 18min
Ocidente, Leonardo Sette – PEm 2008, 18min

Debatedor
 
Francis Vogner dos Reis é crítico de cinema, jornalista e professor. Participa das revistas virtuais Cinética, Contracampo e Paisá.
 

Investigação do cinema no Brasil

 
Inspirados pelos questionamentos levantados pelo crítico Jean-Claude Bernardet no livro “Historiografia Clássica do Cinema Brasileiro”, o Cineclube Equipe se lança, em seu quarto ano de atividades, no estudo sobre o cinema no Brasil através de uma programação aberta, que será percorrida ao longo de 2009 com a experimentação de diferentes metodologias de pesquisa.
 
Em sessões com convidados de diversas áreas (cineastas, teóricos, historiadores, críticos), como Ismail Xavier, Luís Alberto Rocha Melo, Sheila Schvarzman e Francis Vogner dos Reis, investirá contra o conhecido e o confortável, na tentativa de construir conhecimentos acerca de temas como cinema de gênero brasileiro, processos durante a ditadura militar, tensão entre cinema autoral e industrial, mercado internacional de curta-metragens contemporâneo.
 
Dispostos a, constantemente, rever conceitos usados e questionar nossa maneira de ver os filmes – em diálogo com outros pesquisadores, lançamo-nos nesta experiência formativa que, como sempre, se concretiza no coletivo: nos estudos e preparativos dos membros organizadores do Cineclube Equipe e no encontro com os espectadores que frequentam as sessões.

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Acompanhe as atividades do Cineclube Equipe em seu twitter.
Para mais informações, visite o site do Cineclube Equipe

 

Add comment 25/11/2009

Planeta Terra 2009

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Foto: Reinaldo Marques/Terra

A Entrada

Eu perdi várias apresentações do Planeta Terra porque quis rever dois filmes muito importantes na repescagem da Mostra SP. Para você ter uma idéia, cheguei no Playcenter literalmente segundos depois do Primal Scream terminar. Mas, a julgar pelos comentários sobre problemas técnicos, não perdi nada. Por outro lado, lamentei perder Móveis Coloniais de Acaju. Resumindo, com esse atraso eu fui direto ao motivo mais importante para estar lá.

O Local

Tenho pouco a reclamar do local. Os brinquedos funcionando enquanto aconteciam as apresentações deram um toque a mais pro show. Pena que não entrei em nenhum, para não desperdiçar a chance de ver pela primeira vez meus ídolos mais aguardados no palco.

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Foto: Reinaldo Marques/Terra

Sonic Youth

Foi uma emoção à parte ver Sonic Youth ao vivo pela primeira vez. E com uma garoa fina, mas persistente, que começou quase ao mesmo tempo que o grupo e deu um clima a mais pra apresentação. Dito isso, senti leve decepcão no começo, a banda me pareceu desconfortável nas duas primeiras canções (se não me falha a memória, No Way e Sacred Trickster). Mas depois disso a apresentação se tornou muito mais vibrante e eufórica.

Um feito, se você lembrar que a maioria das canções saíram do último disco deles, The Eternal, do qual gosto bastante, mas considerava distante dos melhores trabalhos deles. Sem dúvida The Eternal soou muito mais empolgante ao vivo. Talvez eu tenha que reavaliar o disco com mais cuidado. Quanto ao resto, teve até Kim Gordon girando no palco até cair. Este fã não pode reclamar.

Iggy & The Stooges

A chuva parou e a apresentação começou de surpresa, uns cinco minutos mais cedo que o previsto (pelo menos foi a impressão que tive). E foi bombástico. Há muito suspeito (e a noite só reforçou isto) que o sonho de Iggy Pop é morrer literalmente no palco. Ele correu, pulou, chutou o microfone, engatinhou e se jogou nos fãs. Enfim, tudo que você espera dele. Se você acha ele um poser, paciência, mas então pelo menos considere que Iggy praticamente foi um dos inventores do que hoje você chama de poser.

Houve música também, mas como avaliar a música sem considerar toda essa performance? Não dá, Iggy & The Stooges mais que um show de música, foi um espetáculo no sentido mais amplo da palavra. No momento mais bonito, Iggy convidou alguns membros da platéia a subirem e ajudá-lo (ele enfatizou o “alguns”). Em segundos o palco sofreu uma verdadeira invasão brazuca de 50 ou mais pessoas. Em vários momentos foi impossível perceber onde estava Iggy. Pena que houve agressões quando a multidão se dispersava e descia por seguranças que não entendem nada de show. Felizmente muito mais gente entende do assunto. Ainda bem.

O Resto

Cansado e com dor nas costas (de tanto pular no Sonic Youth), não prestei atenção no N.A.S.A., que me pareceu uma apresentação de fim de festa (não, isto não foi um elogio). Mas foi bom avistar amigos como a querida Ivis e o Tiago Superoito. A noite foi boa.

Add comment 15/11/2009

33ª Mostra SP – Top 10 e outros rankings

Por fim, após refletir um pouco, fiz o Top 10 dos melhores filmes vistos nesta Mostra. Eu excluí da lista A Crônica de Anna Magdalena Bach (de 1968) e deixei apenas filmes recentes já que em teoria a idéia da Mostra é descobrir o que há de melhor no cinema mundial contemporâneo.

Aproveitei e fiz rankings para os melhores intérpretes (privilegiando protagonistas ou eu nunca iria concluir este post) e as melhores cenas de filmes que muitas vezes tinham um conjunto inferior ao momento selecionado.

Top 10

1 – A Religiosa Portuguesa (Eugène Green – 2009 – Portugal)
2 – Independência (Raya Martin – 2009 – Filipinas, França, Alemanha, Holanda)
3 – Singularidades de uma Rapariga Loura (Manoel de Oliveira – 2009 – Portugal, França, Espanha)
4 – Ricky (François Ozon – 2009 – França)
5 – A Família Wolberg (Axelle Ropert – 2009 – França)

6 – Vencer (Marco Bellocchio – 2009 – Itália)
7 – Mother (Bong Joon-Ho – 2009 – Coreia do Sul)
8 – Shirin (Abbas Kiarostami – 2008 – Irã)
9 – Ervas Daninhas (Alain Resnais – 2009 – França)
10 – Louise Michel, A Rebelde (Sólveig Anspach – 2009 – França)

Melhor Ator

1 – Guillaume Depardieu – Uma Vida Real (Sarah Leonor – 2009 – França)
2 – François Damiens – A Família Wolberg (Axelle Ropert – 2009 – França)
3 – Nicolas Cage – Vício Frenético (Werner Herzog – 2009 – EUA)
4 – Fernando Santos – Morrer Como um Homem (João Pedro Rodrigues – 2009 – Portugal, França)
5 – Jeff Goldblum – A Ressurreição de Adam (Paul Schrader – 2008 – EUA, Alemanha, Israel)

Melhor Atriz

1 – Leonor Baldaque – A Religiosa Portuguesa (Eugène Green – 2009 – Portugal)
2 – Hilda Péter – Katalin Varga (Peter Strickland – 2009 – Hungria, Romênia)
3 – Valérie Benguigu – A Família Wolberg (Axelle Ropert – 2009 – França)
4 – Alexandra Lamy – Ricky (François Ozon – 2009 – França)
5 – Kim Hye-ja – Mother (Bong Joon-Ho – 2009 – Coreia do Sul)

Melhor Cena

Como critério, apenas uma cena por filme. Muitas vezes o desafio está em escolher apenas uma de um grande filme.

1 – Atriz e freira frente a frente – A Religiosa Portuguesa – Somos um ou vários? Amamos um ou vários?
2 – Rapariga loura sentada na poltrona – Singularidades de uma Rapariga Loura – A mulher sem face
3 – Tempestade na floresta – Independência – Como pode uma floresta falsa ser tão real?
4 – Cena da canoa – Katalin Varga – Katalin narra trauma do passado; texto e atmosfera ajudam, mas o que perturba é o sorriso da Hilda Péter durante a cena
5 – Tio ensina sobrinho a diferença entre realidade e fantasia – A Família Wolberg – Tão fácil quanto brincadeira de criança

6 – Reencontro no lago – Ricky – Todo filho é um anjo aos olhos da mãe
7 – Dança no ônibus – Mother – Se a consciência dói, nada melhor que jogá-la no lixo
8 – Noite vermelha – Morrer Como um Homem – O mundo literalmente colorido de um travesti
9 – Filho imita o pai – Vencer – O fascismo como performance
10 – “Atire de novo. A alma dele ainda está dançando” – Vício Frenético – Momento mais insano de um filme deliciosamente pirado

Add comment 12/11/2009

33ª Mostra SP – Ranking completo

Com o fim da Mostra (e algum atraso), eis o ranking completo de todos os filmes vistos durante os 14 dias regulares da Mostra + 1 dia de repescagem. Os filmes foram classificados usando o mesmo critério das fichas de avaliação da Mostra. Dentro de cada categoria, os filmes foram classificados em ordem alfabética.

Em relação ao Ranking dos 7 dias, alguns filmes caíram de posição. Nada melhor que o tempo e a cabeça fria para revelar a verdadeira importância do que você viu.

Excelente

A Crônica de Anna Magdalena Bach (Danièle Huillet, Jean-Marie Straub – 1968 – Itália, Alemanha)
A Religiosa Portuguesa (Eugène Green – 2009 – Portugal)
Independência (Raya Martin – 2009 – Filipinas, França, Alemanha, Holanda)
Singularidades de uma Rapariga Loura (Manoel de Oliveira – 2009 – Portugal, França, Espanha)

Muito Bom

A Família Wolberg (Axelle Ropert – 2009 – França)
Ervas Daninhas (Alain Resnais – 2009 – França)
Louise Michel, A Rebelde (Sólveig Anspach – 2009 – França)
Mother (Bong Joon-Ho – 2009 – Coreia do Sul)
Ricky (François Ozon – 2009 – França)
Shirin (Abbas Kiarostami – 2008 – Irã)
Vencer (Marco Bellocchio – 2009 – Itália)

Bom

35 Doses de Rum (Claire Denis – 2008 – França)
A Ressurreição de Adam (Paul Schrader – 2008 – EUA, Alemanha, Israel)
Aquiles e a Tartaruga (Takeshi Kitano – 2008 – Japão)
Katalin Varga (Peter Strickland – 2009 – Hungria, Romênia)
Morrer Como um Homem (João Pedro Rodrigues – 2009 – Portugal, França)
O que Resta do Tempo (Elia Suleiman – 2009 – França, Palestina)
Os Sorrisos do Destino (Fernando Lopes – 2009 – Portugal)
Polícia, Adjetivo (Corneliu Porumboiu – 2009 – Romênia)
Todos os Outros (Maren Ade – 2009 – Alemanha)
Uma Vida Real (Sarah Leonor – 2009 – França)
Vício Frenético (Werner Herzog – 2009 – EUA)

Regular

A Batalha dos 3 Reinos (John Woo – 2008 – China)
À Procura de Elly (Asghar Farhadi – 2009 – Irã)
A Fita Branca (Michael Haneke – 2009 – Áustria, Alemanha, França, Itália)
A Pequenina (Rainer Frimmel, Tizza Covi – 2009 – Áustria, Itália)
Aconteceu em Woodstock (Ang Lee – 2009 – EUA)
Alga Doce (Andrzej Wajda – 2008 – Polônia)
Entre Dois Mundos (Vimukthi Jayasundara – 2009 – Sri Lanka)
I Love You Phillip Morris (Glenn Ficarra, John Requa – 2008 – EUA)
Irene (Alain Cavalier – 2009 – França)
Montanha de Abandono (So Yong Kim – 2008 – Coreia do Sul, EUA)
O Inferno de Clouzot (Serge Bromberg, Ruxandra Medrea – 2009 – França)
Traga-me Alecrim (Josh Safdie, Benny Safdie – 2009 – EUA, França)
Voluntária Sexual (Kyong-duk Cho – 2009 – Coreia do Sul)

Não Gostei

Águas Verdes (Mariano De Rosa – 2009 – Argentina)
Cinerama (Inês Oliveira – 2009 – Portugal)
Czar (Pavel Lounguine – 2009 – Rússia)
Ela, uma Chinesa (Xiaolu Guo – 2009 – Reino Unido, China, Alemanha)
Formosa Traída (Adam Kane – 2009 – EUA, Tailândia)
Himalaya – Terra dos Ventos (Jeon Soo-il – 2008 – Coreia do Sul, França)
Lebanon (Samuel Maoz – 2009 – França, Alemanha, Israel, Líbano)
Making Plans for Lena (Christophe Honoré – 2009 – França)
Maradona (Emir Kusturica – 2008 – Espanha, França)
O Amor segundo B. Schianberg (Beto Brant – 2009 – Brasil)
Perseguição (Patrice Chéreau – 2009 – França)
Samson & Delilah (Warwick Thornton – 2009 – Austrália)
Selvagens (Lawrence Gough – 2008 – Inglaterra)

Add comment 11/11/2009

33ª Mostra SP – Repescagem – Dia 1

Ontem foi o primeiro e provavelmente o último dia que frequento a repescagem para ver um filme inédito. Hoje pretendo rever Independência e A Religiosa Portuguesa, mas com a intenção de escrever textos maiores sobre os dois. Aguarde mais posts com meus rankings de preferidos da Mostra.

Lebanon (Samuel Maoz – 2009 – França, Alemanha, Israel, Líbano)

Da mistura de claustrofobia com voyerismo (4 soldados num tanque só enxergam o mundo através da mira do canhão) surgem momentos de interesse, especialmente no começo do filme. Mas depois creio que a inexperiência do diretor Maoz (é seu filme de estréia) o leva a impor um discurso pacifista através de meios pouco convincentes. Se um dos soldados fica meio maluco é porque filmes de guerra humanos tem que mostrar soldados enlouquecendo; se um dos soldados é covarde e sempre falha na hora H é porque a guerra não é para todo mundo; se o quarteto não se entende é porque a guerra faz isso com eles, etc – mesmo que essas coisas frequentemente não sejam críveis em Lebanon ou acrescentem algo ao resultado final.

4 comments 07/11/2009

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