Três filmes da Mostra SP (Armadillo, O Caçador, e Oliveira)
31/10/2010 at 10:40 am Deixe um comentário
Armadillo
Cotação: * *
Janus Metz (Dinamarca, 2010)
Um documentário dinamarquês que parece um remake de Guerra ao Terror (de fato, é perfeitamente possível um espectador desavisado acreditar que o filme é ficção). A audácias das imagens colhidas impressiona (a câmera perdida no meio de tiroteios bem próximos e reais), assim como as dificuldades na relação dos soldados dinamarqueses com o povoado afegão que protegem precariamente. Mas o sabor de “já vi isto antes” realmente me incomodou, o que não acontece com qualquer filme familiar, preciso dizer.
O Caçador
Cotação: * *
Rafi Pitts (Alemanha, Irã, 2010)
Acredite se quiser, uma espécie de Rambo iraniano (o 1º filme, no caso). Um suspense eficaz e com um sentimento de revolta anti-autoridade palpável. O filme é melhor trabalhando atmosferas e clichês (o trabalho de som do filme é sensacional, aliás) do que com personagens. O que explica por que o filme cai no terço final, apesar desta parte ter alguns dos planos mais memoráveis do filme.
O Estranho Caso de Angélica
Cotação: * * *
Manoel de Oliveira (Espanha, Brasil, França, Portugal, 2010)
O filme não me pareceu tão forte quanto os melhores trabalhos do nosso cineasta centenário preferido (como o anterior, a obra-prima Singularidades de uma Rapariga Loura). Em parte, ele me soou como uma alegoria sobre o próprio cinema. O protagonista é um fotógrafo de película (teoricamente nos dias de hoje; mas como em quase todo Oliveira tentar determinar a época do filme é perder o bonde) que apaixona-se por uma falecida rapariga que aparece viva na foto que bateu. Mas a paixão de ambos se consuma não nessas fotos, mas em lindas e surpreendentes imagens cheias de efeitos especiais. Ou seja, Oliveira parece dizer que o problema do cinema atual não está nos efeitos, mas na falta de imaginação e paixão de quem os usa.
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