Juízo Final

28/08/2009 at 10:15 am Deixe um comentário

IMAGEM: Cinema em Cena

IMAGEM: Cinema em Cena

Marshall, 2008

 Para mim, é sempre agradável ver um filme que me leva a coçar a cabeça e pensar “mas o que diabo é ISTO?”. Tanto melhor se ele não vier do circuito de “arte” (com aspas, por favor), mas de onde menos se espera que um filme provoque uma reação assim: do cinema comercial ou de gênero.

 Este ano já Neil passei por isso com o maluco Presságio (com Nicolas Cage), agora passei de novo com este deliciosamente cara de pau Juízo Final. E o filme até que começa com uma premissa típica de ficção científica B.

 Em 2038, um muro vigiado separa a Escócia do resto do mundo, pois o país foi devastado por um vírus letal trinta anos atrás. Mas o vírus ressurge na Inglaterra. Como há provas misteriosas de sobreviventes na Escócia, uma equipe armada, liderada por uma policial durona (Rhona Mitra) atravessa a barreira para trazer a hipotética cura.

Filmes e gêneros
 Daqui pra frente, há uma sucessão de situações tiradas de outros filmes e gêneros e reunidas de forma a desrespeitar totalmente a idéia do que deve ser um filme de ação “coerente” e “lógico” (mais aspas). Para você ter uma idéia, a equipe logo enfrenta um exército de sobreviventes, canibais de visual sadomasoquista.

 Quando eu estava me acostumando com o filme ter virado uma reciclagem de Mad Max, surgem outros sobreviventes. Desta vez, morando num castelo, e agindo como na Idade Média, tornando boa parte do filme num capa-e-espada!

 Mais adiante, brigas e perseguições entre esses grupos misturam sem o menor pudor espadas, flechas, metralhadoras, granadas, carros e cavalos. O mais incrível é que não há piscadas irônicas pro público. Ao contrário, o filme parece se levar a sério – estamos distantes do cinema de Tarantino e Robert Rodriguez.

Um desastre?
 Levando tudo isso em conta, seria Juízo Final uma produção que saiu dos trilhos e tornou-se um desastre sem freios? Não creio que um cineasta como Neil Marshall, capaz de algo tão pensado quanto o tenso Abismo do Medo – um filme melhor, mas menos inusitado que este – perderia desse jeito o controle de uma criação sua.

 Na verdade, o domínio de Marshall me parece evidente em cada imagem e cada cena, incluindo as de ação. O diretor conduz as seqüências sem perder o ritmo nem a linha narrativa – não importa quão bizarra ela se torne. Portanto, também estamos distantes de um cinema trash e desleixado.

 A dificuldade com o filme está em aceitar seus absurdos, nunca na forma como esses absurdos são apresentados. Acho que Marshall é, isto sim, um brincalhão dissimulado. Cena a cena, ele frustra deliberadamente nossas expectativas, ciente do tipo de reação (ódio e/ou perplexidade) que vai provocar. Uma bela provocação, um belo filme.

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