Zazen, a meditação sentada

28/08/2009 at 10:00 am 2 comentários

 Há muitos tipos de meditação. A maioria segue o mesmo princípio: permanecer imóvel e em silêncio, prestando atenção a sua respiração por alguns minutos. Há exceções: a meditação ativa (Osho, salvo engano) envolve intensa atividade física; na meditação transcendental (praticada por David Lynch) recita-se mantras.

 Já pratiquei várias formas, mas vou explicar aqui apenas uma. É aquela que funciona para mim e que pratico diariamente. É o zazen, a meditação sentada, talvez o mais importante ritual do zen budismo. Agora, antes de ler o restante do texto, veja este vídeo de Patrick, um americano professor de Yoga no Japão.

 Ele ensina o básico da prática de zazen com bom humor e uma sinceridade refrescante (“isto é tão chato…”). O vídeo não tem legendas em português, mas é simples o bastante para ser entendido mesmo assim.

 Você já viu o vídeo? Ótimo. Eu recomendo todas as dicas de Patrick, especialmente contar as respirações. Mas eu vou dar umas dicas a mais.

A hora e o lugar
 Faça meditação numa hora e lugar de silêncio. Mas não seja exigente demais. E desligue o telefone!

O corpo
 Evite meditar se você estiver com sono, frio, calor, febre, dor, fome, sede, ou vontade de ir ao banheiro. Como regra geral, medite apenas quando estiver fisicamente confortável.

Os olhos
 Olhe um ponto específico da parede (cor branca é melhor) abaixo dos olhos – sem abaixar a cabeça! Marcar um ponto com lápis ajuda, mas não é necessário.

A duração
 No começo, medite por poucos minutos, cinco no máximo. Com o tempo, você sentirá necessidade de meditar por mais tempo. Mas não fique chateado se suas obrigações o impedirem. É muito mais importante meditar 5 minutos diariamente do que 30 minutos a cada dois ou três dias. Medite diariamente.

IMAGEM: The Teacher’s Journal

IMAGEM: The Teacher’s Journal

A postura
 O ideal é meditar com a zafu (foto), almofada específica para isso. Ela pode ser adquirida em templos ou lojas orientais. Mas na sua falta, use uma almofada comum (ou mais de uma), um banquinho, etc. Ao sentar, seus joelhos precisam estar abaixo da linha dos quadris, já que na mesma linha (diretamente no chão, por exemplo) é muito desconfortável.

A mente
 Esvaziar a mente de pensamentos é tanto o método quanto o objetivo final da meditação. Mas se você se esforçar muito para não pensar nada, você passará a sessão preocupado, pensando em não pensar. Aceite os pensamentos que surgirem como nuvens passando no céu, mas evite prestar atenção nelas e foque no céu azul. Aos poucos sua mente ficará sem nuvens.

 Posso dizer por experiência própria que meditar é um processo de altos e baixos. Não importa há quanto tempo pratique, todos podem ter semanas muito fáceis ou muito difíceis. Não desanime e continue praticando.

 Dito tudo isso, por que meditar? Quais são os benefícios? No vídeo, Patrick fala em perceber que você não é seus pensamentos. Mas o que isto significa? Bom, isto é assunto para outro dia. Até lá, torço para que você já esteja meditando e tenha seus palpites.

 Para dicas de quem REALMENTE entende do assunto, clique aqui. E para aprender mais com Patrick, clique aqui.

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Se Beber, Não Case! Juízo Final

2 Comentários Add your own

  • 1. Ailton Monteiro  |  28/08/2009 às 2:42 pm

    Que legal, Bruno! Deu vontade de começar a praticar. Eu já li tanto sobre meditação nos livros do Osho, mas nunca tentei aplicá-la de fato. Inclusive, ele menciona em um de seus livros essa comparação dos pensamentos com as nuvens. Acho muito interessante a ideia de que os pensamentos não são nossos. E tem aquela engraçada história sufi do sujeito que vai em busca de um mestre para se livrar dos pensamentos e ele recomenda a ele para NÃO pensar em macacos. hehehe

    Responder
    • 2. brunoamato  |  28/08/2009 às 11:01 pm

      Legal Ailton. A meditação mudou minha vida, mas isso é uma coisa pessoal. O Zazen serve para mim, mas pode ser que outro tipo seja melhor para você. É preciso experimentar e descobrir. E certamente há gente que nem precisa meditar. O que posso dizer é que experimentar e descobrir tudo isso vale a pena.

      A comparação com nuvens é muito comum, praticamente todos os mestres a mencionam. É que ela é simplesmente perfeita para descrever a sensação de meditar, mas só praticando para perceber o quanto ela é verdadeira. Assim como a história dos macacos haha Quanto aos pensamentos, na verdade eles são seus sim, mas você não é eles – uma idéia que só fica totalmente clara quando você começa a meditar. Na verdade, teoria no zen e na meditação é insuficiente. É preciso praticar.

      Responder

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