Tokyo!

07/12/2009 at 9:17 am 2 comentários

Michel Gondry, Leos Carax e Bong Joon-ho – 2008 – França/Japão/Coréia do Sul/Alemanha

Na proposta, Tokyo! parece versão japonesa de Paris, Eu te Amo – ambos são filmes de episódios ambientados na mesma cidade mas dirigidos por estrangeiros. Porém, Tokyo! não passa uma imagem charmosa da capital japonesa (como Paris, Eu te Amo). Ao contrário, os três cineastas (dois franceses e um coreano) usam Tóquio como sinônimo de alienação, individualismo e outros males urbanos.

Interior Design (Michel Gondry)

Da trinca, é o menos bom. Apesar de certa frouxidão narrativa, Gondry está em bom momento como cineasta. Ele aparenta mais interesse pela arquitetura e objetos da cidade do que pelos personagens. O que, aliás, faz sentido no final quando a protagonista, uma sonhadora que não se adapta a metrópole frenética e competitiva, sofre uma metamorfose que dá sentido a sua existência.

Merde (Leos Carax) 

O meu preferido, de longe (mas que deve gerar mais reações de ódio). À princípio, o monstro que sobe dos esgotos para assustar pessoas, parece ter a missão de levar desordem a uma cidade tão certinha e objetiva. Depois, quando mata pessoas, sua prisão e julgamento despertam o pior na sociedade japonesa – racismo e sensacionalismo. A cena-chave é a do tribunal, quando o monstro é interrogado acerca de suas origens e motivos em três idiomas diferentes (japonês, francês e seu misterioso idioma) – e a tela se divide em três (foto).

Mesmo com tantas ofertas de imagens e meios de comunicação, a criatura permanece incompreensível para nós espectadores e para suas vítimas. É o comentário pessimista de Carax sobre a falibilidade de nosso mundo supostamente bem conectado.

Shaking Tokyo (Bong Joon-ho)

Assim como Interior Design, não acho que o diretor deste episódio, Bong Joon-ho, tenha muito interesse por seus personagens (basicamente duas almas perdidas e solitárias, etc). Shaking Tokyo funciona melhor quando se assume como desculpa de Bong para brincar de cinema e filmar planos e cenas surpreendentes. E aí a superioridade de Bong sobre Gondry se torna óbvia.

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2 Comentários Add your own

  • 1. Raul Arthuso  |  14/03/2010 às 7:50 pm

    Achei o pessimismo do Carax meio fraco com o negócio do hype que os meios de comunicação causam sobre a figura do “monstro”, como se a hipercomunicação de hoje fosse per si defeituosa.
    E o que eu mais gosto do Bong Joon-ho é sua alegria de brincar de fazer cinema.

    Responder
    • 2. brunoamato  |  14/03/2010 às 11:54 pm

      Não acho que a questão seja exatamente essa Raul. Os meios de comunicação não causam nada sobre o monstro, eu acho. Certamente há um comentário aí sobre sensacionalismo na mídia. Mas os meios de comunicação não conseguem explicar o monstro, ou revelar sua essência – esta se “perde na tradução” e isto me parece o X da questão. E o fato do curta conseguir fazer isso sem cair na tentação de apresentar “a verdade” para o espectador (“vejam, o monstro fez isso por causa disso, e a TV distorceu tudo), ou seja, admitindo que também é falho, só aumenta a minha admiração pelo Carax.

      Responder

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