A Elegância de Woody Allen – últimos 4 filmes

14/12/2009 at 2:54 pm Deixe um comentário


Um Misterioso Assassinato em Manhattan
Woody Allen – 1993 – EUA

Eu sempre o considerei um filme menor. Mas na revisão percebi que se trata de um de seus filmes mais criativos visualmente. Diane Keaton volta a fazer parceria como Allen. A câmera estabelece logo a relação do casal: vida no piloto automático, aborrecidos com os passatempos de cada um (Ele: ver esportes; Ela: ver ópera). A obsessão dela em investigar um possível assassinato cometido pelo vizinho idoso e gente fina vira um passatempo a mais pro casal matar o tédio e reacender a velha chama. Não sem antes uma boa resistência de Allen, que está inspirado tanto como ator quanto cineasta.

Sua câmera nervosa parece com a de seu filme anterior (Maridos e Esposas), mas ela brinca de esconde-esconde, sempre atrás de objetos, buscando ou fugindo dos personagens – recurso nada gratuito já que muitas vezes informa a relação dos personagens melhor que qualquer diálogo. Seja filmando o casal literalmente distante um do outro; Keaton quase fora do quadro quando sente ciúmes da atração de Allen e Alan Alda por Anjelica Huston; usando cores fortes nas cenas reconciliação do casal, etc. Excelente!

Broadway Danny Rose
Woody Allen – 1984 – EUA

Uma pérola pouco conhecida na carreira de Woody Allen. Começa com uma reunião de comediantes stand-up num restaurante que contam entre si, em forma de piada, o mais fantástico caso de um agente na Broadway famoso por seus clientes bizarros e/ou sem talento, o tal Danny Rose (Allen, que numa das várias ironias do filme, é muito mais engraçado que qualquer um de seus clientes). Danny Rose terá que provar sua dedicação ao fingir ser namorado da amante de seu melhor cliente (que é casado), enquanto o mesmo cliente tenta arranjar outro agente mais bem sucedido.

A amante é Mia Farrow, em seu papel mais incomum: uma itála-americana vulgar que quase não tira os óculos escuros. É memorável o plano que se aproxima dela por trás dela quando está no banheiro olhando o espelho (sem óculos), sugerindo que seu tipo estravagente nada mais é que uma atuação dela. A fotografia p&b de Gordon Willis capta bem a decadência do mundo que Danny Rose vive, sugerindo o quanto a fantasia parece uma forma dele e outros escaparem disso. Nesse sentido, um filme muito mais interessante que A Rosa Púrpura do Cairo – Farrow inclusive passa no desfecho por dilema semelhante, só que mais complicado.

Maridos e Esposas
Woody Allen – 1992 – EUA

Ou “o infame filme do divórcio Allen-Farrow”. É (mais um) falso documentário, desta vez com câmera na mão, sobre casamentos em crise. Sem especular futilidades sobre paralelos com a vida íntima de Allen-Farrow, em nenhum outro filme Allen se expôs tanto, até nos problemas. Sua visão sobre as dificuldades no casamento está toda lá, nua e a mais ácida possível. As personagens femininas, neuróticas e manipuladoras, me incomodam muito, elas acumulam os piores vícios de Allen como roteirista (mas não é que os homens sejam muito melhores). Na filmografia do cineasta, é um filme obrigatório, que eu mais admiro (pela sinceridade) do que gosto.

Zelig
Woody Allen – 1983 – EUA

Basicamente Zelig é a mesma (boa) piada repetida diversas vezes – é um falso documentário sobre o conformista em pessoa, Zelig (Allen, claro). Nos anos 20 ele teria ficado famoso por ser um “camaleão humano”, isto é, mudava de aparência e personalidade para imitar as pessoas ao seu redor (Zelig se torna republicano perto de republicanos, obeso diante de obesos, etc).

Além das transformações do protagonista, a graça está nas aparições dele em filmes da época autênticos interagindo com personalidades reais, num processo semelhente, embora mais primitivo, a Forrest Gump. Felizmente, ao contrário deste, Zelig é sobre os perigos do conformismo (Zelig quase se junta ao nazismo). A relação de Zelig com sua psicanalista (Mia Farrow, lógico) tem poucos momentos, mas tão engraçados, que suspeito que o filme seria ainda melhor se Allen abandonasse sua estrutura de falso documentário e desse mais espaço para a relação dos dois.

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