Cinema da Geórgia – 5 filmes

26/12/2009 at 11:13 am Deixe um comentário

Eu fiz alguns comentários ligeiros sobre filmes desta mostra que, por um motivo ou por outro, não despertaram tanto meu interesse quanto outros (a serem comentados com mais cuidado num futuro próximo).

Novembro
Otar Iosseliani – 1966 – Geórgia

O filme começa com sequencia de planos documentais do processo de criação de vinhos, encerrada com uma igreja tocando sinos, sugerindo a importância (sacra!) que Iosseliani dá ao vinho. Importância compartilhada pelo jovem protagonista, espécie de enólogo estatal pressionado pela “burrocracia” a avaliar positivamente safra que ele sabe ser uma porcaria. Novembro é muito forte na atmosfera agridoce e na caracterização dos vários personagens (tipos do povo inconfundíveis, mas marcantes). Falta ao filme, entretanto, uma objetividade que Iosseliani demonstraria em suas obras-primas posteriores.

Eliso
Nikoloz Shengelaya – 1928 – Geórgia

O filme narra a expulsão de uma tribo turca da Geórgia pelo governo (algo frequente no século 19). Há um amor proibido entre uma muçulmana local e um georgiano, embora o drama deles tenha importância menor no filme que o drama coletivo (em geral é o contrário). O georgiano, apesar de caracterizado como um herói clássico típico, fracassa em tudo que faz para impedir a deportação da tribo. Eliso ainda tem sequencias visualmente impressionantes (um incêndio noturno e um velório que lentamente se transforma numa festa), além de um uso inspirado das montanhas locais. Excelente!

Alaverdoba
Giorgi Shengelaya – 1962 – Geórgia

Homem (aparentemente, jornalista) visita a Alaverdoba, tradicional festival de música e dança popular. Em off, ele confessa o desgosto pelo festival ser desculpa da população para encher a cara. Nesta etapa inicial (filme tem 52 minutos) não há realmente uma narrativa. Na verdade, filme parece sequencia de fotos em movimento. E digo isso sem deboche. Em seguida, o homem rouba um cavalo, provocando uma confusão temporária nas pessoas, que logo voltam a passividade de sempre – fim. O significado político me parece evidente demais (a alienação do povo, a futilidade de conscientizá-lo, etc) e esse é um motivo pelo qual costumo desgostar de filmes metafóricos como este: há cinema (ou seja, encenação) por trás de idéias tão simples? Neste caso, eu acredito que não.

Sal para Svanetia
Mikhail Kalatozov – 1930 – Geórgia

Mikhail Kalatozov se tornaria mais conhecido por seus filmes posteriores (Eu Sou Cuba é dos anos 50, por exemplo). Sal para Svanetia é um falso documentário sobre vila perdida nas montanhas, onde a ausência de sal da região tem consequencias drásticas no modo de vida local. O filme, de 44 minutos, é notável pelas imagens agressivas (há um segmento criticando a religião especialmente bárbaro). Ele só se assume como propaganda soviética no fim triunfalista, quando estrada construída pelo governo chega a cidade. Mas se você ignorar esse desfecho, quase nada no filme sugere propaganda comunista, o que é curioso.

A Lenda da Fortaleza de Suram
Sergei Paradjanov – 1984 – Geórgia

Após ouvir inúmeros elogios a filmes como Cavalos de Fogo e A Cor da Romã, meu primeiro Paradjanov (o menos conhecido A Lenda da Fortaleza de Suram) foi uma grande decepção. Eu não posso negar que no começo o filme foi fascinante, graças ao seu visual original, composto por planos fixos carregado de elementos e cores muito fortes, difíceis de descrever. A melhor descrição que achei pertence a um texto de Luiz Carlos Oliveira Jr. na Contracampo (clique aqui) sobre A Cor da Romã: “As composições dos planos em A Cor do Romã trazem também a presença e a influência crucial da tapeçaria, principal forma de arte medieval ao lado da pintura”.

Infelizmente, fui perdendo o interesse aos poucos, conforme a narrativa acumulava idas e vindas difíceis de seguir (narrativa não é a coisa mais importante do filme, mas não se pode negar que Paradjanov tenta construir uma). Apesar disso, esstou ainda mais curioso para conhecer Cavalos de Fogo e A Cor da Romã.

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