Alice no País das Maravilhas

26/04/2010 at 4:26 pm 2 comentários

Tim Burton – 2010 – EUA

Enquanto eu assistia ao filme, pensei várias vezes em Grant Morrison (roteirista de histórias em quadrinhos), mesmo sem ter certeza do motivo. Em casa, matei a charada: Morrison é (junto com o artista Dave McKean) autor da HQ Batman: Asilo Arkham – Uma Séria Casa em Um Sério Mundo, com fortes referências a obra de Lewis Carroll. Mas a toca de coelho é mais embaixo: apesar do roteiro burocrático (da Linda Woolverton, talvez a verdadeira autora do filme) transformar o nonsense original numa aventura de bem contra o mal bastante linear, o filme conta com dois desvios importantes:

1) vários habitantes do País das Maravilhas têm autoconsciência de serem parte de uma história de ficção (e os bebedores de chá claramente interessam mais a Burton que Alice);

2) a sugestão que as visitas de Alice (Mia Wasikowska) ao País das Maravilhas são um ciclo cujos personagens (idéia 1) estão condenados a repetir eternamente;

São idéias próximas do Grant Morrison, que muitas vezes usa fórmulas batidas nas suas HQs (geralmente nas mais comerciais), mas preenchendo as bordas das histórias com desvios, ruídos, passagens obscuras, e demais esquisitices. Pois bem, pegue os dois pontos citados acima, adicione alguns planos mais líricos do Burton (os olhos do Gato Risonho na Lua, que tal?) e fica a sensação de que há neste Alice no País das Maravilhas algo mais por trás das aparências. Que podem enganar, mas tornam o filme melhor do que a recepção crítica sugeria.

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Lost S06E11, 12 e 13 Aguardem novidades

2 Comentários Add your own

  • 1. Vlademir  |  29/05/2010 às 11:06 pm

    Concordo, e acredito que talvez não fizesse muito sentido uma adaptação fiel e literal dos livros de Carroll visto que já existem tantas versões nesse sentido (inclusive a que a maioria considera a definitiva, a da Disney). Burton não deixou de correr riscos, e mesmo as simplificações são releváveis.

    Responder
    • 2. brunoamato  |  30/05/2010 às 4:02 pm

      Não vou opinar sobre adaptações de Alice, porque vi poucas: só acho que este filme, independente de quaisquer defeitos, é um pouco melhor que as críticas iniciais sugeriam – as mais interessantes que li, aliás, sugerem que o filme todo é uma alegoria para as relações inglesas controversas com países como a China por causa do chá.

      Responder

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