Archive for 01/11/2010

Minha Felicidade

Cotação: *
Sergei Loznitsa (Alemanha/Ucrânia/Rússia, 2010)

Achei uma farsa. O filme garante o interesse no primeiro terço, quando ele curiosamente (e talvez involuntariamente) lembra um western: mas aqui a fronteira entre civilização e bárbarie é o interior da Rússia atual, numa estrada percorrida por um caminhoneiro que tenta sobreviver e manter a decência. A narrativa é intercalada por  flash-backs que, pelo que entendi, buscam na Segunda Guerra as origens do mal que tornou o país nesta terra de ladrões, vista no filme através de planos-sequencias, bom uso da largura dos planos abertos e closes expressivos.

Entretanto, aos poucos o lado esteta pornográfico de Sergei Loznitsa vence. Não há mais interesse em narrativa ou dramaturgia: há apenas um aborrecido catálogo de horrores “bem filmados”. É sintomático que o protagonista se torne um boneco de cera. Pra que fazê-lo falar, quando você pode filmar uma sombra sinistra plasticamente linda no rosto dele?

01/11/2010 at 3:46 pm Deixe um comentário

Mistérios de Lisboa

Cotação: * * * *
Raúl Ruiz (Portugal/França, 2010)

O que me impressionou inicialmente após o término do filme foi sua leveza, envolvência e fluência narrativa (mesmo com duração de 4h30). Nada parece pesar muito no filme, algo que Raúl Ruiz usa a seu favor. Esta adaptação de um folhetim literário do século XIX é composta por uma série de confissões sobre o passado que se tornam flash-backs, crescem e se tornam filmes dentro de filmes (o suposto protagonista, por exemplo, desaparece por longos períodos de tempo).

O peso do passado, eis o tema (mais lusitano impossível, aliás) deste mosaico de amores perdidos e filhos bastardos. Não importa o quanto os personagens troquem de nome e posição social, a câmera de Ruiz está sempre atenta á decoração da cena (a cenografia não é só “linda”, mas dramaticamente necessária), apontando o inevitável: não há fuga do próprio passado (talvez isto dê sentido ao estranho desfecho do filme).

O filme, visualmente muito criativo, tem vários momentos de inesperado surrealismo (um crânio fantasma surgindo num relógio, a própria câmera servindo como mesa onde se trocam bilhetes, etc mais etc). Também há um olhar irônico para as relações sociais do filme, já que, como próprio filme não se cansa de de afirmar, este é um filme em que burgueses sofrem muito por coisas que são banalidades para os pobres. Enfim, um grande filme, merecedor de pelo menos uma revisão atenta para desvendar seus muitos mistérios.

01/11/2010 at 2:18 pm Deixe um comentário


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