Archive for 08/11/2010

Todas as Cotações da 34ª Mostra SP

Estes são todos os filmes vistos até o dia 07/11, ou seja, durante toda a Mostra incluindo a repescagem. Por favor, observem que alguns filmes tiveram suas cotações mudadas em relação ao post anterior de cotações.

* * * * = Especial. Talvez não seja ”obra-prima”, mas algo nele o torna ainda maior que grandes filmes.

Tio Boonmee, Que Pode Recordar Suas Vidas Passadas (Apichatpong Weerasethakul)
Mistérios de Lisboa (Raúl Ruiz)

* * * = Gostei muito. Um grande filme, precisa dizer mais?

Cópia Fiel (Abbas Kiarostami)
O Estranho Caso de Angélica (Manoel de Oliveira)
Film Socialisme (Jean-Luc Godard)
História Mundana (Jao Nok Krajok)
Machete (Robert Rodriguez)
As Quatro Voltas (Michelangelo Frammartino)
A Rede Social (David Fincher)
Vênus Negra (Abdellatif Kechiche)

* * = Interessante. Pode até não ser um bom filme, mas algo nele o torna interessante o bastante para ser visto.

Armadillo (Janus Metz)
O Caçador (Rafi Pitts)
A Cidade Abaixo (Christoph Hochhäusler)
Um Dia na Vida (Eduardo Coutinho)
A Espada e a Rosa (João Nicolau)
Exit Through the Gift Shop (Banksy)
Um Homem que Grita (Mahamat Saleh Haroun)
Jean Gentil (Laura Amelia Guzmán, Israel Cárdenas)
Um Lugar Qualquer (Sofia Coppola)
Luz nas Trevas (Helena Ignez, Icaro C. Martins)
Memórias de Xangai – I wish I knew (Jia Zhang-ke)
Sobre Seu Irmão (Yoji Yamada)
A Vala (Wang Bing)
Vocês Todos São Capitães (Oliver Laxe)

* = Não gostei. Não adianta, não gostei mesmo do filme, o que não significa necessariamente que seja um lixo total.

Avenida Brasília Formosa (Gabriel Mascaro)
Bróder (Jeferson De)
Caterpillar (Koji Wakamatsu)
Como Eu Terminei Este Verão (Alexei Popogrebsky)
Ex Isto (Cao Guimarães)
Filme do Desassossego (João Botelho)
O Mágico (Sylvain Chomet)
Minha Felicidade (Sergei Loznitsa)
Nossa Vida (Daniele Luchetti)
A Primeira Coisa Linda (Paolo Virzì)
Poesia (Lee Chang-dong)
Rio Dooman (Zhang Lu)
Turnê (Mathieu Amalric)
A Última Estrada da Praia (Fabiano de Souza)

W.O. = Desisti do filme. Não necessariamente por causa da qualidade do filme.

Carlos (Olivier Assayas) – Desisti em grande parte pela má qualidade da cópia.

08/11/2010 at 10:30 pm 1 comentário

A Vala

Cotação: * *
Wang Bing (França/Bélgica, 2010)

Um dos filmes barra pesada desta Mostra e, ainda assim, estranhamente frio. Retrata um campo de trabalhos forçados chinês no deserto do Gobi nos anos 50, para onde eram levados supostos inimigos do Partido Comunista. De cara, o que chama a atenção é a câmera documental, com fartos planos-sequência e poucos closes, dificultando a identificação com (ou d)os personagens. Algumas figuras se repetem em várias cenas, mas isto é um filme narrativo tradicional só na aparência e terminamos sabendo quase nada sobre os prisioneiros (quem eram e o que fizeram para estar ali, etc). A idéia implícita  é que ninguém merece tal castigo, não importando o que fez. Mesmo os guardas ganham simpatia distanciada, fugindo do estereótipo de sádicos dos filmes de prisão (pois o sadismo é do sistema, não daqueles que o servem).

As cenas de horror existem, mas são ocasionais, não há um suspense crescente ou algo assim. Como em muitos filmes de situação extrema, este também levanta o dilema: o que é mais importante, a dignidade dos mortos ou a sobrevivência dos vivos? Uma longa e angustiante sequência (que destoa do filme em várias sentidos) de uma viúva tentando dar um enterro digno para o marido parece concordar com a primeira afirmação, enquanto o resto do filme incluindo seu final parece confirmar a última. Não há respostas fáceis em A Vala.

08/11/2010 at 4:36 pm Deixe um comentário

Um Homem que Grita

Cotação: * *
Mahamat Saleh Haroun (Chade/França/Bélgica, 2010)

O filme é claramente dividido em duas partes e eu gostei muito da primeira. Um Homem que Grita abre com um plano entre pai (sessentão) e filho (um jovem adulto) brincando numa piscina de quem segura mais o fôlego debaixo d’água. Ao fim, perceberemos que o cerne de todo o filme (incluindo a última cena) estava aí mesmo. Pai e filho são salva-vidas numa piscina de um hotel de luxo no Chade. O pai (o protagonista) é um orgulhoso ex-campeão de natação e Haroun filma sua rotina no trabalho com uma economia exemplar. Somente vemos, por exemplo, os locais de trabalho dos funcionários do hotel (o portão de entrada, a cozinha e a piscina), o que certamente é uma opção política de Haroun.

O cineasta ainda constrói nesta primeira metade, com cuidado e paciência, os problemas crescentes que irão transformar a saudável rivalidade de gerações entre pai e filho em algo destrutivo (como as demissões impostas pelos novos donos do hotel e a ainda distante guerra civil no país). Infelizmente, na segunda parte do filme ele se torna bastante banal. Não vi nada que que diferenciasse o olhar de Haroun de tantos outros sobre guerra civil na África. Seja como for, eis um filme que melhora bastante no dia seguinte.

08/11/2010 at 4:27 pm Deixe um comentário


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