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Discovering Orson Welles

Jonathan Rosenbaum, 2007

 Já faz algumas semanas que eu terminei de ler este ótimo livro sobre Orson Welles, o genial cineasta de Cidadão Kane, A Marca da Maldade, F for Fake e tantos outros. Discovering Orson Welles (infelizmente sem tradução brasileira) não é uma biografia, mas uma coletânea de artigos escritos ao longo da vida pelo bom (e controverso) crítico de cinema Jonathan Rosenbaum. Mesmo assim, após lê-lo você terá uma idéia mais clara de quem foi Welles, como pessoa e artista. Pois Rosenbaum sabe unir muito bem credibilidade jornalística (datas, fatos e depoimentos – embora ele tenha encontrado Welles apenas uma vez) com sua avaliação crítica de filmes.

 Em cada artigo, o crítico procura estabelecer os méritos de cada filme do Welles e entender porque vários foram mutilados ou condenados ao ostracismo. Rosenbaum admite que o cineasta cometeu decisões comerciais equivocadas e colecionou inimigos. Mas ele defende que o maior estrago que os adversários de Welles causaram não foi mutilar seus filmes, mas rotulá-lo como gênio desorganizado que desperdiçou oportunidades e só fez um grande filme, Cidadão Kane.

 É um estereótipo ferozmente combatido pelo escritor (que prefere Falstaff, por exemplo). Nesse sentido, eu destaco dois capítulos: 1) o texto esclarecedor sobre a problemática filmagem no Brasil de É Tudo Verdade; 2) seu ataque ácido a Criando Kane, ensaio da crítica Paulina Kael, no qual ela usou argumentos pouco fundamentados para diminuir Welles como cineasta e criador de Cidadão Kane.

 A única objeção séria que eu tenho com o livro é a decisão de Rosenbaum em acrescentar, em cada capítulo, introduções em itálico apontando os erros cometidos ao escrever o texto original (que são reproduzidos sem correções). Algumas introduções apontam tantos erros e omissões, que se tornam maiores que o texto original! Além de complicarem a leitura, você questiona o sentido de ler o artigo original, já que é tão equivocado. É um problema, mas, quando você termina o livro, sobra apenas a vontade de comprovar com seus olhos o valor dos filmes menos reconhecidos do cineasta. Sem dúvida, é a maior qualidade de Discovering Orson Welles.

 Leia o primeiro capítulo do livro, justamente aquele que desmonta Criando Kane

Entrevista com Jonathan Rosenbaum, que exibe uma cena fantástica do inacabado Dom Quixote. Sem legendas.

14/08/2009 at 10:00 am Deixe um comentário

Zen Budismo

Fonte: Andarilhos do Ser

Imagem: Andarilhos do Ser

“Se alguém suspeita que o Zen é sentimentalista, sua suspeita se desvanecerá rapidamente ao considerar a vida de um samurai.” – Alan Watts, O Espírito do Zen

 Meu interesse pelo Zen Budismo começou quando comprei o livro O Espírito do Zen, de Alan Watts, editora L&PM. Na época, eu estava lendo livros da Geração Beat (Kerouac, Ginsberg, etc). Alguns desses escritores se consideravam praticantes desta linha budista (embora eles tenham dado uma interpretação muito pessoal aos conceitos Zen). Eu queria saber do que o Zen se tratava, mas minha curiosidade pelo assunto era apenas intelectual. Pois há muito tempo desconfio de todas as ideologias e crenças, não só religiosas, como políticas, filosóficas, etc. Respeito todas – algumas mais que outras – mas elas sempre me soaram insuficientes e dogmáticas.

 Porém, ao ler O Espírito do Zen descobri uma religião (linha de conduta talvez seja uma expressão mais precisa) que rejeita dogmas. O Zen até mesmo admite a possibilidade de não existir vida após a morte (mas nem todos os mestres concordam integralmente com isto). Lembro do dia em que participava de uma sessão de meditação para iniciantes no Templo Taikozan Tenzuizenji. Um novato perguntou a um mestre como o Zen Budismo encarava a reencarnação (idéia forte no budismo tibetano, mas não japonês como o Zen). O mestre contou a história do samurai que atingido por uma flecha, precisava retirá-la para parar o sangramento. Mas o furioso samurai só queria saber de onde veio a flecha, quem disparou, onde o inimigo estava para vingar-se, etc. Até alguém gritar “TIRE A FLECHA”.

 Esta história resume o que a postura Zen significa para mim. Trata-se de parar de lamentar o passado e de ter medo do futuro. A idéia é vivenciar plenamente sua vida, um momento de cada vez, incluindo os banais. E de buscar a perfeição em cada atividade que realiza, rejeitando o sofrimento ao fracassar nessa busca (pois era impossível mesmo). Postura nada fácil de praticar, admito.

 O Zen é mais abrangente que isto, mas por enquanto isso basta como introdução. Caso você queira saber mais, eu recomendo como leitura tanto O Espírito do Zen como Mente Zen, Mente de Principiante, do mestre Shunryu Susuki, editora Palas Athena. Nessa ordem, inclusive. Apenas aviso que a leitura não basta para ser Zen. É preciso prática-lo diariamente e o principal pilar de sua prática é a meditação, especificamente a meditação sentada (Zazen). Mas isso é assunto para outro post.

O Espírito do Zen

Mente Zen, Mente de Principiante

Wikipedia

12/08/2009 at 10:00 am 8 comentários

O Primeiro Passo

Oi, meu nome é Bruno Amato. Tenho 27 anos, moro na São Paulo capital e gosto de música, livros, quadrinhos, seriados de TV e filmes. Principalmente filmes. De todos os tipos, países e épocas. Gosto tanto que escrevi para algumas revistas especializadas (três eletrônicas, uma impressa) e tive dois blogs antes deste. Mas parei totalmente de escrever sobre cinema meses atrás, porque já não era mais prazeroso. Eu estava muito insatisfeito com minha vida pessoal (e familiar, e profissional…) e com minha capacidade como escritor.

 Nos últimos tempos, cada insatisfação alimentava a outra num círculo vicioso. Ao parar de escrever, eu imaginava ingenuamente que teria tempo e energia para resolver os problemas que me impediam de escrever. Foi mais ou menos nessa época que passei a meditar e estudar Zen budismo. Essas atividades me ajudaram a aceitar as minhas limitações. Entendi que nem sempre é possível resolver nossos problemas imediatamente. Às vezes, é melhor esperar calmamente o tempo que for preciso para ter a oportunidade de solucioná-los. Daí minha inatividade, que me trouxe certa paz.

 Entretanto, aos poucos percebi que algo faltava. Até que li algo que mexeu comigo. No excelente livro Mente Zen, Mente de Principiante, mestre Shunryu Susuki diz que “calma na inatividade é fácil. A calma na atividade é a verdadeira calma”. Por isso estou de volta. Eu vou escrever aqui, sempre que possível, sobre música, livros, quadrinhos, seriados de TV e filmes. Principalmente filmes.

 Seja sempre bem-vindo!

10/08/2009 at 11:54 am 4 comentários


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