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Zazen, a meditação sentada

 Há muitos tipos de meditação. A maioria segue o mesmo princípio: permanecer imóvel e em silêncio, prestando atenção a sua respiração por alguns minutos. Há exceções: a meditação ativa (Osho, salvo engano) envolve intensa atividade física; na meditação transcendental (praticada por David Lynch) recita-se mantras.

 Já pratiquei várias formas, mas vou explicar aqui apenas uma. É aquela que funciona para mim e que pratico diariamente. É o zazen, a meditação sentada, talvez o mais importante ritual do zen budismo. Agora, antes de ler o restante do texto, veja este vídeo de Patrick, um americano professor de Yoga no Japão.

 Ele ensina o básico da prática de zazen com bom humor e uma sinceridade refrescante (“isto é tão chato…”). O vídeo não tem legendas em português, mas é simples o bastante para ser entendido mesmo assim.

 Você já viu o vídeo? Ótimo. Eu recomendo todas as dicas de Patrick, especialmente contar as respirações. Mas eu vou dar umas dicas a mais.

A hora e o lugar
 Faça meditação numa hora e lugar de silêncio. Mas não seja exigente demais. E desligue o telefone!

O corpo
 Evite meditar se você estiver com sono, frio, calor, febre, dor, fome, sede, ou vontade de ir ao banheiro. Como regra geral, medite apenas quando estiver fisicamente confortável.

Os olhos
 Olhe um ponto específico da parede (cor branca é melhor) abaixo dos olhos – sem abaixar a cabeça! Marcar um ponto com lápis ajuda, mas não é necessário.

A duração
 No começo, medite por poucos minutos, cinco no máximo. Com o tempo, você sentirá necessidade de meditar por mais tempo. Mas não fique chateado se suas obrigações o impedirem. É muito mais importante meditar 5 minutos diariamente do que 30 minutos a cada dois ou três dias. Medite diariamente.

IMAGEM: The Teacher’s Journal

IMAGEM: The Teacher’s Journal

A postura
 O ideal é meditar com a zafu (foto), almofada específica para isso. Ela pode ser adquirida em templos ou lojas orientais. Mas na sua falta, use uma almofada comum (ou mais de uma), um banquinho, etc. Ao sentar, seus joelhos precisam estar abaixo da linha dos quadris, já que na mesma linha (diretamente no chão, por exemplo) é muito desconfortável.

A mente
 Esvaziar a mente de pensamentos é tanto o método quanto o objetivo final da meditação. Mas se você se esforçar muito para não pensar nada, você passará a sessão preocupado, pensando em não pensar. Aceite os pensamentos que surgirem como nuvens passando no céu, mas evite prestar atenção nelas e foque no céu azul. Aos poucos sua mente ficará sem nuvens.

 Posso dizer por experiência própria que meditar é um processo de altos e baixos. Não importa há quanto tempo pratique, todos podem ter semanas muito fáceis ou muito difíceis. Não desanime e continue praticando.

 Dito tudo isso, por que meditar? Quais são os benefícios? No vídeo, Patrick fala em perceber que você não é seus pensamentos. Mas o que isto significa? Bom, isto é assunto para outro dia. Até lá, torço para que você já esteja meditando e tenha seus palpites.

 Para dicas de quem REALMENTE entende do assunto, clique aqui. E para aprender mais com Patrick, clique aqui.

28/08/2009 at 10:00 am 2 comentários

Zen Budismo

Fonte: Andarilhos do Ser

Imagem: Andarilhos do Ser

“Se alguém suspeita que o Zen é sentimentalista, sua suspeita se desvanecerá rapidamente ao considerar a vida de um samurai.” – Alan Watts, O Espírito do Zen

 Meu interesse pelo Zen Budismo começou quando comprei o livro O Espírito do Zen, de Alan Watts, editora L&PM. Na época, eu estava lendo livros da Geração Beat (Kerouac, Ginsberg, etc). Alguns desses escritores se consideravam praticantes desta linha budista (embora eles tenham dado uma interpretação muito pessoal aos conceitos Zen). Eu queria saber do que o Zen se tratava, mas minha curiosidade pelo assunto era apenas intelectual. Pois há muito tempo desconfio de todas as ideologias e crenças, não só religiosas, como políticas, filosóficas, etc. Respeito todas – algumas mais que outras – mas elas sempre me soaram insuficientes e dogmáticas.

 Porém, ao ler O Espírito do Zen descobri uma religião (linha de conduta talvez seja uma expressão mais precisa) que rejeita dogmas. O Zen até mesmo admite a possibilidade de não existir vida após a morte (mas nem todos os mestres concordam integralmente com isto). Lembro do dia em que participava de uma sessão de meditação para iniciantes no Templo Taikozan Tenzuizenji. Um novato perguntou a um mestre como o Zen Budismo encarava a reencarnação (idéia forte no budismo tibetano, mas não japonês como o Zen). O mestre contou a história do samurai que atingido por uma flecha, precisava retirá-la para parar o sangramento. Mas o furioso samurai só queria saber de onde veio a flecha, quem disparou, onde o inimigo estava para vingar-se, etc. Até alguém gritar “TIRE A FLECHA”.

 Esta história resume o que a postura Zen significa para mim. Trata-se de parar de lamentar o passado e de ter medo do futuro. A idéia é vivenciar plenamente sua vida, um momento de cada vez, incluindo os banais. E de buscar a perfeição em cada atividade que realiza, rejeitando o sofrimento ao fracassar nessa busca (pois era impossível mesmo). Postura nada fácil de praticar, admito.

 O Zen é mais abrangente que isto, mas por enquanto isso basta como introdução. Caso você queira saber mais, eu recomendo como leitura tanto O Espírito do Zen como Mente Zen, Mente de Principiante, do mestre Shunryu Susuki, editora Palas Athena. Nessa ordem, inclusive. Apenas aviso que a leitura não basta para ser Zen. É preciso prática-lo diariamente e o principal pilar de sua prática é a meditação, especificamente a meditação sentada (Zazen). Mas isso é assunto para outro post.

O Espírito do Zen

Mente Zen, Mente de Principiante

Wikipedia

12/08/2009 at 10:00 am 8 comentários

O Primeiro Passo

Oi, meu nome é Bruno Amato. Tenho 27 anos, moro na São Paulo capital e gosto de música, livros, quadrinhos, seriados de TV e filmes. Principalmente filmes. De todos os tipos, países e épocas. Gosto tanto que escrevi para algumas revistas especializadas (três eletrônicas, uma impressa) e tive dois blogs antes deste. Mas parei totalmente de escrever sobre cinema meses atrás, porque já não era mais prazeroso. Eu estava muito insatisfeito com minha vida pessoal (e familiar, e profissional…) e com minha capacidade como escritor.

 Nos últimos tempos, cada insatisfação alimentava a outra num círculo vicioso. Ao parar de escrever, eu imaginava ingenuamente que teria tempo e energia para resolver os problemas que me impediam de escrever. Foi mais ou menos nessa época que passei a meditar e estudar Zen budismo. Essas atividades me ajudaram a aceitar as minhas limitações. Entendi que nem sempre é possível resolver nossos problemas imediatamente. Às vezes, é melhor esperar calmamente o tempo que for preciso para ter a oportunidade de solucioná-los. Daí minha inatividade, que me trouxe certa paz.

 Entretanto, aos poucos percebi que algo faltava. Até que li algo que mexeu comigo. No excelente livro Mente Zen, Mente de Principiante, mestre Shunryu Susuki diz que “calma na inatividade é fácil. A calma na atividade é a verdadeira calma”. Por isso estou de volta. Eu vou escrever aqui, sempre que possível, sobre música, livros, quadrinhos, seriados de TV e filmes. Principalmente filmes.

 Seja sempre bem-vindo!

10/08/2009 at 11:54 am 4 comentários


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