Posts filed under ‘Música’

Planeta Terra 2009

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Foto: Reinaldo Marques/Terra

A Entrada

Eu perdi várias apresentações do Planeta Terra porque quis rever dois filmes muito importantes na repescagem da Mostra SP. Para você ter uma idéia, cheguei no Playcenter literalmente segundos depois do Primal Scream terminar. Mas, a julgar pelos comentários sobre problemas técnicos, não perdi nada. Por outro lado, lamentei perder Móveis Coloniais de Acaju. Resumindo, com esse atraso eu fui direto ao motivo mais importante para estar lá.

O Local

Tenho pouco a reclamar do local. Os brinquedos funcionando enquanto aconteciam as apresentações deram um toque a mais pro show. Pena que não entrei em nenhum, para não desperdiçar a chance de ver pela primeira vez meus ídolos mais aguardados no palco.

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Foto: Reinaldo Marques/Terra

Sonic Youth

Foi uma emoção à parte ver Sonic Youth ao vivo pela primeira vez. E com uma garoa fina, mas persistente, que começou quase ao mesmo tempo que o grupo e deu um clima a mais pra apresentação. Dito isso, senti leve decepcão no começo, a banda me pareceu desconfortável nas duas primeiras canções (se não me falha a memória, No Way e Sacred Trickster). Mas depois disso a apresentação se tornou muito mais vibrante e eufórica.

Um feito, se você lembrar que a maioria das canções saíram do último disco deles, The Eternal, do qual gosto bastante, mas considerava distante dos melhores trabalhos deles. Sem dúvida The Eternal soou muito mais empolgante ao vivo. Talvez eu tenha que reavaliar o disco com mais cuidado. Quanto ao resto, teve até Kim Gordon girando no palco até cair. Este fã não pode reclamar.

Iggy & The Stooges

A chuva parou e a apresentação começou de surpresa, uns cinco minutos mais cedo que o previsto (pelo menos foi a impressão que tive). E foi bombástico. Há muito suspeito (e a noite só reforçou isto) que o sonho de Iggy Pop é morrer literalmente no palco. Ele correu, pulou, chutou o microfone, engatinhou e se jogou nos fãs. Enfim, tudo que você espera dele. Se você acha ele um poser, paciência, mas então pelo menos considere que Iggy praticamente foi um dos inventores do que hoje você chama de poser.

Houve música também, mas como avaliar a música sem considerar toda essa performance? Não dá, Iggy & The Stooges mais que um show de música, foi um espetáculo no sentido mais amplo da palavra. No momento mais bonito, Iggy convidou alguns membros da platéia a subirem e ajudá-lo (ele enfatizou o “alguns”). Em segundos o palco sofreu uma verdadeira invasão brazuca de 50 ou mais pessoas. Em vários momentos foi impossível perceber onde estava Iggy. Pena que houve agressões quando a multidão se dispersava e descia por seguranças que não entendem nada de show. Felizmente muito mais gente entende do assunto. Ainda bem.

O Resto

Cansado e com dor nas costas (de tanto pular no Sonic Youth), não prestei atenção no N.A.S.A., que me pareceu uma apresentação de fim de festa (não, isto não foi um elogio). Mas foi bom avistar amigos como a querida Ivis e o Tiago Superoito. A noite foi boa.

15/11/2009 at 11:33 am Deixe um comentário

Internacional 2

20° Festival Internacional de Curtas-Metragens de São Paulo
Para saber mais sobre o Festival, clique aqui.

Top Girl
Rebecca Johnson, Inglaterra, 2008

Uma adolescente tenta provar que poder ser uma rapper melhor que qualquer menino. Infelizmente o filme se desvia desse interessante curso para mostrar as dificuldades típicas dessa faixa etária, mostradas de forma típica. Por que a câmera treme tanto?

The German
Nick Ryan, Irlanda, 2008

 Superprodução que começa com uma batalha aérea na Segunda Guerra e culmina num confronto corpo a corpo. Como não sabemos quem são os personagens, é difícil se importar com o final da luta. Mas uma surpresa no fim compensa um pouco.

Baba
Zuzana Kirchnerová-Špidlová, República Tcheca, 2008

 A dura rotina de uma adolescente que sozinha cuida todos os dias da avó senil e doente. Eu me incomodei um pouco com essa situação que não faz muito sentido (a garota nunca vai à escola?). Previsível, mas os atores e os detalhes nos relacionamentos de seus personagens (ela com a avó, a mãe, e o vizinho) sustentam o interesse.

Laska
Michal Socha, Polônia, 2008

 Animação criativa no uso bastante livre de cores e formas para retratar um encontro sexual de um casal.
 

A Letter to Uncle Boonmee
Apichatpong Weerasethakul, Tailândia, 2009

 Apichatpong, o tailandês maluco dos mais estranhos filmes dos últimos anos (Síndrome e um Século, Mal dos Trópicos, e outros) faz uma homenagem a seu falecido tio “e suas muitas encarnações”. Começa com a câmera passeando pelo interior de uma casa enquanto a narração em off, de alguém que presumimos ser o próprio cineasta, lê uma carta a seu tio. O texto reclama da impossibilidade de recriar a casa onde o tio morou, que uma criação cinematográfica nunca é igual a nossas lembranças, etc.

 Aí vem a primeira rasteira: a câmera continua explorando a casa e seus arredores enquanto a carta é lida outra vez, por outra pessoa! Sendo que em certo momento ela erra sua fala e pede desculpas para o diretor. Ou seja, eram atores diferentes recitando o mesmo roteiro. Quando você pensa que entendeu o curta (seria uma observação sobre o poder de ilusão do cinema, ou algo assim) vem a rasteira definitiva. As imagens se tornam cada vez mais misteriosas e indescritíveis, incluindo até o que parece ser um disco voador pousado no jardim da casa (veja a foto). O alienígena não aparece, mas deve ser o próprio Apichatpong. Felizmente, eu acredito que ele seja um ET do bem.

OBS: lamentável a péssima cópia exibida, desbotando as cores do curta.
 

Tek Notalik Adam / Homem de uma nota só
Daghan Celayir, Turquia, 2008

 Um curta fácil de ser tão subestimado quanto seu personagem principal, um músico clássico orgulhoso de seu instrumento: pratos de percussão. Uma noite ele se apaixona por uma freqüentadora assídua da orquestra onde ele toca Dvorak. O curta usa muita criatividade para fazer graça de maneiras inesperadas e contar sua história sem nenhum diálogo. O resultado lembra o melhor cinema mudo. O ator principal é excelente. Uma bela surpresa!

 Trailer de Homem de uma nota só

24/08/2009 at 10:00 am Deixe um comentário

Humbug

IMAGEM: Música para o Universo

IMAGEM: Música para o Universo

Arctic Monkeys, 2009

 Quando escrevo uma crítica (de um filme, ou o que for), eu tento não dar a impressão que os pontos positivos e os negativos da obra são coisas separadas. Pois isso cria a ilusão que é só retirar cirurgicamente (e com anestesia) esses defeitos e puxa, temos o melhor filme-livro-disco do mundo! A criação artística é um processo mais complicado que isso. O que eu e você enxergamos como problemas são partes inseparáveis das qualidades.

 Ouça, por exemplo, o primeiro disco dos Arctic Monkeys, o fenômeno de vendas Whatever People Say I Am, That’s What I’m Not. É ótimo, mas clássico instantâneo do rock inglês? De jeito nenhum. O disco confia demais na voz áspera de Alex Turner e na bateria do Matt Helders (os Arctic Monkeys pareciam uma dupla ali, não uma banda). E o conjunto tem problemas de ritmo, começando forte demais e perdendo o gás. O que talvez até seja adequado para letras sugerindo baladas e confusões com tipos suspeitos, seguidas da inevitável ressaca.

 Depois disso, os garotos ingleses trouxeram Favourite Worst Nightmare e agora este Humbug, do qual até gosto mais que o anterior. Alex Turner aprendeu a variar a voz, os outros integrantes contribuem mais, as canções estão melhor distribuídas. Os Arctic Monkeys amadureceram, mas o que eles ganharam com isto exatamente? Eu escutei esses dois discos várias vezes nos últimos dias. Eu gosto das canções, quase todas, aliás. Mas sinto que o grupo perdeu parte da personalidade. Não acho que repetir o passado (Whatever…) seja a resposta. Só acho que mais sujeira e desequilíbrio podem trazer um futuro mais interessante pros Arctic Monkeys.

UPDATE 19/08/09: Ouça Crying Lightning . Talvez a melhor faixa de Humbug.

18/08/2009 at 10:05 am 4 comentários

O Primeiro Passo

Oi, meu nome é Bruno Amato. Tenho 27 anos, moro na São Paulo capital e gosto de música, livros, quadrinhos, seriados de TV e filmes. Principalmente filmes. De todos os tipos, países e épocas. Gosto tanto que escrevi para algumas revistas especializadas (três eletrônicas, uma impressa) e tive dois blogs antes deste. Mas parei totalmente de escrever sobre cinema meses atrás, porque já não era mais prazeroso. Eu estava muito insatisfeito com minha vida pessoal (e familiar, e profissional…) e com minha capacidade como escritor.

 Nos últimos tempos, cada insatisfação alimentava a outra num círculo vicioso. Ao parar de escrever, eu imaginava ingenuamente que teria tempo e energia para resolver os problemas que me impediam de escrever. Foi mais ou menos nessa época que passei a meditar e estudar Zen budismo. Essas atividades me ajudaram a aceitar as minhas limitações. Entendi que nem sempre é possível resolver nossos problemas imediatamente. Às vezes, é melhor esperar calmamente o tempo que for preciso para ter a oportunidade de solucioná-los. Daí minha inatividade, que me trouxe certa paz.

 Entretanto, aos poucos percebi que algo faltava. Até que li algo que mexeu comigo. No excelente livro Mente Zen, Mente de Principiante, mestre Shunryu Susuki diz que “calma na inatividade é fácil. A calma na atividade é a verdadeira calma”. Por isso estou de volta. Eu vou escrever aqui, sempre que possível, sobre música, livros, quadrinhos, seriados de TV e filmes. Principalmente filmes.

 Seja sempre bem-vindo!

10/08/2009 at 11:54 am 4 comentários


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