Posts filed under ‘Quadrinhos’

Alice no País das Maravilhas

Tim Burton – 2010 – EUA

Enquanto eu assistia ao filme, pensei várias vezes em Grant Morrison (roteirista de histórias em quadrinhos), mesmo sem ter certeza do motivo. Em casa, matei a charada: Morrison é (junto com o artista Dave McKean) autor da HQ Batman: Asilo Arkham – Uma Séria Casa em Um Sério Mundo, com fortes referências a obra de Lewis Carroll. Mas a toca de coelho é mais embaixo: apesar do roteiro burocrático (da Linda Woolverton, talvez a verdadeira autora do filme) transformar o nonsense original numa aventura de bem contra o mal bastante linear, o filme conta com dois desvios importantes:

1) vários habitantes do País das Maravilhas têm autoconsciência de serem parte de uma história de ficção (e os bebedores de chá claramente interessam mais a Burton que Alice);

2) a sugestão que as visitas de Alice (Mia Wasikowska) ao País das Maravilhas são um ciclo cujos personagens (idéia 1) estão condenados a repetir eternamente;

São idéias próximas do Grant Morrison, que muitas vezes usa fórmulas batidas nas suas HQs (geralmente nas mais comerciais), mas preenchendo as bordas das histórias com desvios, ruídos, passagens obscuras, e demais esquisitices. Pois bem, pegue os dois pontos citados acima, adicione alguns planos mais líricos do Burton (os olhos do Gato Risonho na Lua, que tal?) e fica a sensação de que há neste Alice no País das Maravilhas algo mais por trás das aparências. Que podem enganar, mas tornam o filme melhor do que a recepção crítica sugeria.

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26/04/2010 at 4:26 pm 2 comentários

Transmetropolitan – De Volta às Ruas

Warren Ellis, Darick Robertson – 2010

“E com “Transmetropolitan – De Volta às Ruas” (148 págs., R$ 45) a Panini dá sequência a publicação de volumes de capa dura com boas histórias em quadrinhos adultas. Muitas delas (Preacher, por exemplo) já conhecidas do público brasileiro pois foram publicadas aqui de forma, na melhor das hipóteses, irregular e/ou incompleta.”

Quer ler o resto? Então clique aqui. Agora sou colaborador do Ambrosia, site com textos sobre cinema, quadrinhos e muito mais!

12/04/2010 at 11:25 pm 2 comentários

Frequência Global – Volume 1

Warren Ellis, diversos artistas – 2009

Warren Ellis criou a história em quadrinhos Frequência Global em 2002. A série durou 12 edições. Este Volume 1, traduzido pela Panini contém as seis primeiras. O conceito é simples, mas rígido: a cada edição (sempre ilustrada por um artista diferente) a Frequência Global, uma rede mundial de mil voluntários espalhados pelo mundo (sem laços governamentais ou corporativos), forma uma equipe nova de integrantes para combater ameaças que variam de terroristas a estranhos ataques alienígenas.

Cada integrante da equipe é escolhido principalmente por suas habilidades. Na verdade (e isso faz parte da diversão) a maioria deles são pessoas comuns, com habilidades comuns – uma das missões é conduzida sozinha por uma atleta de Parkour, e correr rápido é tudo que ela precisa para completá-la. Como os personagens mudam a cada capítulo, o suspense é enorme, pois você não sabe quem sobreviverá no final. As únicas constantes são a líder da entidade e a hacker que coordena os grupos, mas elas são pouco mais que uma conveniência de roteiro para Ellis.

Aliás, a experiência dele (que escreve HQs há no mínimo uns 20 anos) em dar muitas informações em narrativas ágeis conta muito: eu me importei com cada personagem novo que conheci (e não vi mais). Os capítulos são tão bons quanto as idéias e os personagens: uma das minhas prediletas, uma alucinação religiosa coletiva na Noruega, não tem ação nenhuma e se sustenta muito bem na interação dos personagens e a estranha natureza do evento.

Por fim, é bacana como ele contrasta sutilmente a diversidade humana dos membros da Frequência Global com as ameaças que enfrentam, quase todas alguma forma, literal ou metafórica, de controle mental coletivo. Para Ellis, o maior dos perigos é a uniformidade de pensamento.

08/02/2010 at 7:48 pm Deixe um comentário

ZDM – Terra de Ninguém

Brian Wood, Riccardo Burchielli – 2009

ZDM – Terra de Ninguém é um volume reunindo os primeiros cinco números da história em quadrinhos originalmente publicada em 2006. Escrita por Brian Wood e traduzida pela Panini, ZDM tem premissa sedutora. No futuro próximo os EUA estão numa segunda Guerra Civil (aparentemente com o sul do país outra vez).

Manhattan se torna uma ZDM, zona desmilitarizada, eufemismo para território violentamente disputado no conflito. Azar dos habitantes de Manhattan, que vivem ali, vítimas em potencial de ataques dos dois lados. Um deles é Matty, um estagiário de jornalismo que escolhe permanecer e reportar o dia a dia dos civis e dos combates. Não por idealismo, mas principalmente por ambição profissional (ele prefere histórias de maior potencial sensacionalista).

É um sujeito irritante, até demais para mim, mas Wood parece mais interessado nos coadjuvantes entrevistados por Matty, tipos trágicos e/ou bizarros da guerra. Eu vou ser totalmente sincero (e subjetivo): também não me interessei tanto assim por eles. Faço exceção aos funcionários do zoológico (que parecem ter algo a esconder) entrevistados no quarto capítulo (Fantasmas).

Talvez por acaso, esse episódio tem a arte mais bonita do italiano Riccardo Burchielli. O zôo está tomado por neve e Burchielli, dono de traços distintos, mas suaves (e uma queda por expressões faciais quase caricaturais), consegue belíssimos resultados com tonalidades brancas quase onipresentes. Em geral, Terra de Ninguém foi decepcionante, mas os dois criadores são tão talentosos que vou considerar seriamente se acompanho os próximos volumes da HQ.

08/02/2010 at 1:07 pm Deixe um comentário

Human Target S01E01

Pilot
Simon West – 2010 – EUA

Human Target é um seriado apenas inspirado no herói de quadrinhos – um guarda-costas especialista em disfarces, que assume a identidade (e o risco) do cliente. Na TV, Chance (Mark Valley, que desde Keen Eddie merecia voltar a ser protagonista) é mais modesto.

Sua estratégia padrão, a julgar pelo Piloto, é usar o cliente como isca para confrontar o assassino. Curiosamente, a cliente da vez (Tricia Helfer, Battlestar Galactica e Burn Notice) não mostra problemas com isso. O episódio, dirigido pelo operário do cinemão Simon West, se beneficia de grande orçamento (mas e os próximos?). A trama é previsível demais, mas eu me diverti muito com cenas de ação caprichadas, especialmente a longa briga do herói com assassino do trem.

Além disso, o elenco tem bons momentos. Meu favorito é Guerrero (Jackie Earle Haley, o Rorschach de Watchmen), um ajudante de Chance, apavorando dois brutamontes sem lutar ou sequer levantar a voz. Mas nem ele ou o outro ajudante (Chi McBride) parecem úteis para o super-competente Chance.

Boas séries de ação como Burn Notice e Chuck tem personagens com forte ligação entre si – e incluem mulheres interessantes, o que faz falta aqui. Ou isto é politicamente correto demais? Por enquanto Human Target é uma estréia irregular, mas promissora.

20/01/2010 at 2:38 pm Deixe um comentário

O Primeiro Passo

Oi, meu nome é Bruno Amato. Tenho 27 anos, moro na São Paulo capital e gosto de música, livros, quadrinhos, seriados de TV e filmes. Principalmente filmes. De todos os tipos, países e épocas. Gosto tanto que escrevi para algumas revistas especializadas (três eletrônicas, uma impressa) e tive dois blogs antes deste. Mas parei totalmente de escrever sobre cinema meses atrás, porque já não era mais prazeroso. Eu estava muito insatisfeito com minha vida pessoal (e familiar, e profissional…) e com minha capacidade como escritor.

 Nos últimos tempos, cada insatisfação alimentava a outra num círculo vicioso. Ao parar de escrever, eu imaginava ingenuamente que teria tempo e energia para resolver os problemas que me impediam de escrever. Foi mais ou menos nessa época que passei a meditar e estudar Zen budismo. Essas atividades me ajudaram a aceitar as minhas limitações. Entendi que nem sempre é possível resolver nossos problemas imediatamente. Às vezes, é melhor esperar calmamente o tempo que for preciso para ter a oportunidade de solucioná-los. Daí minha inatividade, que me trouxe certa paz.

 Entretanto, aos poucos percebi que algo faltava. Até que li algo que mexeu comigo. No excelente livro Mente Zen, Mente de Principiante, mestre Shunryu Susuki diz que “calma na inatividade é fácil. A calma na atividade é a verdadeira calma”. Por isso estou de volta. Eu vou escrever aqui, sempre que possível, sobre música, livros, quadrinhos, seriados de TV e filmes. Principalmente filmes.

 Seja sempre bem-vindo!

10/08/2009 at 11:54 am 4 comentários


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