Aviso: fechado para reforma

Primeiro, quero dizer que após meses sem escrever foi ótimo voltar por umas semanas e, melhor ainda, ser recompensado com visitas, comentários e elogios. Muito obrigado.

Dito isto, o post é um aviso que este blog permanecerá inativo por tempo indeterminado. Preciso deste tempo para rever escolhas pessoais. Além disso, vou me preparar para uma reciclagem criativa enquanto escritor, algo que sinto estar precisando.

 Esta pausa possivelmente será breve, mas é totalmente necessária. Quando eu voltar a escrever, estarei com a cabeça e o coração nos lugares certos. Será algo que vale a pena de verdade, e do jeito que sempre quis. Acredite, eu e você ganharemos com isso.

Por isso, peço paciência e que aguarde meu retorno com as novidades. Até breve!

25/11/2010 at 10:48 am 5 comentários

Todas as Cotações da 34ª Mostra SP

Estes são todos os filmes vistos até o dia 07/11, ou seja, durante toda a Mostra incluindo a repescagem. Por favor, observem que alguns filmes tiveram suas cotações mudadas em relação ao post anterior de cotações.

* * * * = Especial. Talvez não seja ”obra-prima”, mas algo nele o torna ainda maior que grandes filmes.

Tio Boonmee, Que Pode Recordar Suas Vidas Passadas (Apichatpong Weerasethakul)
Mistérios de Lisboa (Raúl Ruiz)

* * * = Gostei muito. Um grande filme, precisa dizer mais?

Cópia Fiel (Abbas Kiarostami)
O Estranho Caso de Angélica (Manoel de Oliveira)
Film Socialisme (Jean-Luc Godard)
História Mundana (Jao Nok Krajok)
Machete (Robert Rodriguez)
As Quatro Voltas (Michelangelo Frammartino)
A Rede Social (David Fincher)
Vênus Negra (Abdellatif Kechiche)

* * = Interessante. Pode até não ser um bom filme, mas algo nele o torna interessante o bastante para ser visto.

Armadillo (Janus Metz)
O Caçador (Rafi Pitts)
A Cidade Abaixo (Christoph Hochhäusler)
Um Dia na Vida (Eduardo Coutinho)
A Espada e a Rosa (João Nicolau)
Exit Through the Gift Shop (Banksy)
Um Homem que Grita (Mahamat Saleh Haroun)
Jean Gentil (Laura Amelia Guzmán, Israel Cárdenas)
Um Lugar Qualquer (Sofia Coppola)
Luz nas Trevas (Helena Ignez, Icaro C. Martins)
Memórias de Xangai – I wish I knew (Jia Zhang-ke)
Sobre Seu Irmão (Yoji Yamada)
A Vala (Wang Bing)
Vocês Todos São Capitães (Oliver Laxe)

* = Não gostei. Não adianta, não gostei mesmo do filme, o que não significa necessariamente que seja um lixo total.

Avenida Brasília Formosa (Gabriel Mascaro)
Bróder (Jeferson De)
Caterpillar (Koji Wakamatsu)
Como Eu Terminei Este Verão (Alexei Popogrebsky)
Ex Isto (Cao Guimarães)
Filme do Desassossego (João Botelho)
O Mágico (Sylvain Chomet)
Minha Felicidade (Sergei Loznitsa)
Nossa Vida (Daniele Luchetti)
A Primeira Coisa Linda (Paolo Virzì)
Poesia (Lee Chang-dong)
Rio Dooman (Zhang Lu)
Turnê (Mathieu Amalric)
A Última Estrada da Praia (Fabiano de Souza)

W.O. = Desisti do filme. Não necessariamente por causa da qualidade do filme.

Carlos (Olivier Assayas) – Desisti em grande parte pela má qualidade da cópia.

08/11/2010 at 10:30 pm 1 comentário

A Vala

Cotação: * *
Wang Bing (França/Bélgica, 2010)

Um dos filmes barra pesada desta Mostra e, ainda assim, estranhamente frio. Retrata um campo de trabalhos forçados chinês no deserto do Gobi nos anos 50, para onde eram levados supostos inimigos do Partido Comunista. De cara, o que chama a atenção é a câmera documental, com fartos planos-sequência e poucos closes, dificultando a identificação com (ou d)os personagens. Algumas figuras se repetem em várias cenas, mas isto é um filme narrativo tradicional só na aparência e terminamos sabendo quase nada sobre os prisioneiros (quem eram e o que fizeram para estar ali, etc). A idéia implícita  é que ninguém merece tal castigo, não importando o que fez. Mesmo os guardas ganham simpatia distanciada, fugindo do estereótipo de sádicos dos filmes de prisão (pois o sadismo é do sistema, não daqueles que o servem).

As cenas de horror existem, mas são ocasionais, não há um suspense crescente ou algo assim. Como em muitos filmes de situação extrema, este também levanta o dilema: o que é mais importante, a dignidade dos mortos ou a sobrevivência dos vivos? Uma longa e angustiante sequência (que destoa do filme em várias sentidos) de uma viúva tentando dar um enterro digno para o marido parece concordar com a primeira afirmação, enquanto o resto do filme incluindo seu final parece confirmar a última. Não há respostas fáceis em A Vala.

08/11/2010 at 4:36 pm Deixe um comentário

Um Homem que Grita

Cotação: * *
Mahamat Saleh Haroun (Chade/França/Bélgica, 2010)

O filme é claramente dividido em duas partes e eu gostei muito da primeira. Um Homem que Grita abre com um plano entre pai (sessentão) e filho (um jovem adulto) brincando numa piscina de quem segura mais o fôlego debaixo d’água. Ao fim, perceberemos que o cerne de todo o filme (incluindo a última cena) estava aí mesmo. Pai e filho são salva-vidas numa piscina de um hotel de luxo no Chade. O pai (o protagonista) é um orgulhoso ex-campeão de natação e Haroun filma sua rotina no trabalho com uma economia exemplar. Somente vemos, por exemplo, os locais de trabalho dos funcionários do hotel (o portão de entrada, a cozinha e a piscina), o que certamente é uma opção política de Haroun.

O cineasta ainda constrói nesta primeira metade, com cuidado e paciência, os problemas crescentes que irão transformar a saudável rivalidade de gerações entre pai e filho em algo destrutivo (como as demissões impostas pelos novos donos do hotel e a ainda distante guerra civil no país). Infelizmente, na segunda parte do filme ele se torna bastante banal. Não vi nada que que diferenciasse o olhar de Haroun de tantos outros sobre guerra civil na África. Seja como for, eis um filme que melhora bastante no dia seguinte.

08/11/2010 at 4:27 pm Deixe um comentário

Tio Boonmee, Que Pode Recordar Suas Vidas Passadas

Cotação: * * * *
Apichatpong Weerasethakul (Tailândia/Inglaterra/França/Alemanha/Espanha/Holanda, 2010)

Em muitos aspectos é dos filmes mais simples deste tailandês genial. Simplicidade enganosa. Ele fez um filme de grande imersão cinematográfica. Ver este filme é como ver um filme pela primeira vez. Tio Boonmee, que está morrendo, passa seus últimos dias com parentes em sua fazenda, onde a presença de seres como fantasmas e homens-macaco será constante.

Mesmo após o primeiro contato da família com o sobrenatural, Apichatpong gasta um tempo considerável mostrando os personagens no dia seguinte em atividades simples: conversando sobre a produção de mel, brincando com um cachorro, ou fazendo diálise (caso de Tio Boonmee), etc, como se o fantástico fosse tão importante quanto o cotidiano (rural). A partir daí, os momentos de deleite visual só aumentam e se intensificam (na verdade o som do filme também é espetacular, outro grande responsável por sua força entorpecedora).

Tentar explicar este filme em palavras, num texto como este (curto e sem outras fotos) parece inútil e uma traição. Sua beleza é evidente e dispensa palavras (embora haja um discurso político na obra: a floresta do filme é repleta de outros tipos de fantasma, já que Tio Boonmee lembra temeroso dos comunistas que matou anos atrás e os homens-macaco são uma minoria perseguida).

Basta dizer que após o fim da jornada, o cineasta reserva um desfecho de significado que me pareceu claro: estamos na cidade com outros personagens (ou outra versão dos mesmos personagens) num recinto fechado. Eles se duplicam (!). Uma versão deles vai num bar de karaokê, enquanto a outra infelizmente prefere o comodismo da TV (o plano final do filme). Como se Apichatpong dissesse “Viram? Para aproveitar a vida não é preciso uma aventura fantástica na floresta nem um fim de semana na fazenda, só de imaginação.” Uma lição que todos nós precisamos.

05/11/2010 at 9:47 pm 5 comentários

Aurora

Cotação: * *
Cristi Puiu (França/Alemanha/Suiça/Romênia, 2010)

O filme durante suas (cansativas) três horas de duração acompanha seu protagonista nas atividades mais prosaicas: dirigir, tomar banho, organizar a mudança de casa, discutir com vizinhos sobre um possível vazamento, decidir se calça chinelos ou sapatos em casa, etc. O cineasta Cristi Puiu filma tudo isso em cenas longas, de câmera quase imóvel, com poucos cortes e fotografia realista.

Ou seja, aparentemente Aurora é muito semelhante aos outros filmes romenos recentes exibidos em festivais – só mais inchado. Por exemplo, em várias seqüências o posicionamento de câmera e os tempos mortos são geniais; em outras, parecem pura preguiça.

Mesmo quando percebemos que o personagem principal também está planejando matar alguém, o formato do filme permanece consistente. A câmera não desgruda das ações do protagonista durante sua trajetória, embora jamais entendamos suas motivações homicidas. No desfecho deliberadamente frustrante, o protagonista descreve minuciosamente tudo que fez, mas é incapaz de expressar com clareza seus motivos, como o filme em si, aliás. Seria Aurora uma crítica de Cristi Puiu a esse modelo de cinema romeno?

04/11/2010 at 1:59 pm 3 comentários

Cotações da Mostra SP (até 02/11)

Estes são todos os filmes vistos até o dia 02/11.

* * * * = Especial. Talvez não seja ”obra-prima”, mas algo nele o torna ainda maior que grandes filmes.

Tio Boonmee, Que Pode Recordar Suas Vidas Passadas (Apichatpong Weerasethakul)
Mistérios de Lisboa (Raúl Ruiz)

* * * = Gostei muito. Um grande filme, precisa dizer mais?

Cópia Fiel (Abbas Kiarostami)
O Estranho Caso de Angélica (Manoel de Oliveira)
Film Socialisme (Jean-Luc Godard)
História Mundana (Jao Nok Krajok)
Machete (Robert Rodriguez)
As Quatro Voltas (Michelangelo Frammartino)
Vênus Negra (Abdellatif Kechiche)

* * = Interessante. Pode até não ser um bom filme, mas algo nele o torna interessante o bastante para ser visto.

Armadillo (Janus Metz)
O Caçador (Rafi Pitts)
A Cidade Abaixo (Christoph Hochhäusler)
Um Dia na Vida (Eduardo Coutinho)
A Espada e a Rosa (João Nicolau)
Exit Through the Gift Shop (Banksy)
Jean Gentil (Laura Amelia Guzmán, Israel Cárdenas)
Um Lugar Qualquer (Sofia Coppola)
Luz nas Trevas (Helena Ignez, Icaro C. Martins)
Memórias de Xangai – I wish I knew (Jia Zhang-ke)
Nossa Vida (Daniele Luchetti)
Sobre Seu Irmão (Yoji Yamada)
Vocês Todos São Capitães (Oliver Laxe)

* = Não gostei. Não adianta, não gostei mesmo do filme, o que não significa necessariamente que seja um lixo total.

Avenida Brasília Formosa (Gabriel Mascaro)
Bróder (Jeferson De)
Caterpillar (Koji Wakamatsu)
Ex Isto (Cao Guimarães)
Filme do Desassossego (João Botelho)
O Mágico (Sylvain Chomet)
Minha Felicidade (Sergei Loznitsa)
A Primeira Coisa Linda (Paolo Virzì)
Poesia (Lee Chang-dong)
Rio Dooman (Zhang Lu)
Turnê (Mathieu Amalric)
A Última Estrasa da Praia (Fabiano de Souza)

W.O. = Desisti do filme. Não necessariamente por causa da qualidade do filme.

Carlos (Olivier Assayas) – Desisti em grande parte pela má qualidade da cópia.

03/11/2010 at 10:33 am 1 comentário

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